A Época do Dar e Receber

Novembro 26, 2018 4 Por Joana
Já há uns dias que a Patrícia do site Nem Sempre Zen me inspirou a escrever este post, e hoje foi o dia para o fazer. Podem aproveitar e espreitar o artigo dela aqui

Sempre adorei o Natal, e a minha perspectiva sobre ele foi-se construindo ao longo dos anos. Partilho convosco um pouco da mesma. Não vou falar sobre o consumismo e a obrigatoriedade de dar prendas que parece existir. Há muitas pessoas que falam muito bem nisso, incluindo a Patrícia, no artigo que está no link acima. Trago outro pedaço da minha perspectiva, que alguns de vós podem também vivenciar, outros não.

Imagem retirada daqui

Natal nos hospitais

Desde que comecei a trabalhar como enfermeira que passei algumas vezes o Natal no hospital, claro. Se me custa? Imaginem que sempre passaram o Natal com a vossa família e valorizam muito esses momentos, e de repente passam esse dia com pessoas com as quais podem ou não dar-se bem fora da relação profissional (falando de colegas), ou que simplesmente não podem ir para casa por questões de saúde, mas não fazem parte do vosso círculo de amigos ou familiares (falando dos que estão internados).

Em 2015 trabalhei pela primeira vez na noite de 24 para 25 (antes disso tinha trabalhado durante o dia). Tudo se tornou mais fácil quando vi as pessoas que estavam comigo de turno nessa noite. Não digo que não me custou não ter o jantar em família, ver as crianças eléctricas pela casa, os tios que adormecem no sofá depois das refeições… e tantas outras coisas que podem não vos dizer nada a vocês, mas que para mim fazem parte do Natal há anos. Mas, sabem que mais?! Acabou por ser um dos Natais mais especiais da minha vida.

Está louca!”, estão vocês a pensar…

Se calhar até estou. Mas sabem aqueles momentos em que mesmo que não estejam nas condições que consideram as ideais (porque continuo a preferir o Natal em família), conseguem sentir gratidão? Pelo menos estava com pessoas de quem gostava; duas delas são grandes amigas, uma delas já na altura era uma irmã para mim. Pelo menos foi um turno calmo, em que nada de grave aconteceu. Passámos a noite em claro, com o sentido de alerta sempre activo, mas pelo menos tudo correu bem. Tínhamos combinado, e acabámos por ter uma mesa cheia de comida boa para matar as saudades da comida de nossas casas. Não é isto tudo maravilhoso? Mais do que aquilo que já tínhamos, só se pudéssemos levar as famílias todas para ali. Se calhar se não tivesse sido assim eu não pensava nada disto… Depois deste Natal passei a pedir para trabalhar na passagem de ano (normalmente, podemos optar) por motivos pessoais. Não penso com tanto carinho nos natais anteriores, é verdade, as circunstâncias eram diferentes, mas também não sofri “horrores”. São coisas que temos de aceitar, ou então é melhor procurar outro local de trabalho.

Os hospitais não podem ficar vazios…

Alguém tem de lá estar… as pessoas não deixam de estar doentes, de sentir dor, de ter fracturas… Perguntem a qualquer um dos que estão deitados naquelas camas se eles querem lá estar… claro que não querem. Nós, enquanto profissionais, podemos até ficar tristes ou zangados por trabalharmos nestas épocas no dia em que o horário é entregue, e até no próprio dia, mas, no fundo, sabemos que é nosso dever cuidar. Sabemos que abdicar da companhia das nossas famílias para cuidar das famílias dos outros, mesmo nestas épocas, faz parte, mesmo quando nos parte o coração. Sabemos que, por mais que preferíssemos estar em casa, é ali que temos de estar. Não o faço de ânimo leve… custa sempre, claro que sim! Mas volto a dizer o que disse acima: aceitar ou mudar. Isto é daquelas coisas com que não vale a pena sofrer sem agir.

E se o dar e receber for em Amor?

Essa noite veio reforçar ainda mais a perspectiva que eu já tinha do Natal. Esta época, para mim, é nostalgia, música, decorações, memórias confortáveis, comida aconchegante. É, acima de tudo, estar com as pessoas de quem gostamos, e até recordar aquelas que já não podem estar presentes. É a sensação de estar a chegar ao final de mais um ano, e ainda cá estarmos para viver isto.

Não venho, com este post, pedir para todos termos a mesma visão, mas espero, pelo menos, fazer-vos pensar nisto. Eu acho importante valorizar estes momentos, sejam eles em família ou com amigos, sejam estes no Natal especificamente ou não (porque não têm de ser). Mas valorizar, não pelo número de embrulhos que recebemos ou o preço dos presentes, e sim por aquilo que, para mim, realmente importa: momentos de corações aconchegados, de criar de memórias, de reforçar laços. São momentos para criar algo que, mais tarde, ao recordar, possa trazer um sorriso ao nosso rosto, encher-nos de emoções boas, e, quem sabe, até emocionar-nos um pouco. Quando penso em Natal, penso em família, nos amigos mais próximos, em coisas que já passaram e que me fazem pensar “bolas, Joana… tu és realmente uma sortuda!”.

E vocês, o que vos vem ao coração quando pensam no Natal?