A Magia dos Rituais (feitos com coração)

Tenho alguns rituais que pratico frequentemente, nomeadamente em ligação com a fase da Lua, na entrada de uma nova de estação do ano e celebrações da roda do ano Celta. Fui aprendendo com outras pessoas e em livros, e fui procurando aquilo que fazia sentido para mim. Atenção, este texto reflecte a minha perspectiva pessoal, que quero partilhar com vocês, sem julgamentos.
Rituais

Um ritual ajuda-me a (re)ligar-me

a mim, aos meus ancestrais, à Mãe Natureza… ao Todo. É uma ferramenta que me ajuda a focar e dar força às minhas intenções. Uma forma de enviar uma mensagem mais forte ao inconsciente, o que leva a mudanças profundas. É ainda uma forma de trazer para a realidade aquilo que se passa dentro de mim.
Por essas razões, pessoalmente sinto que é importante colocar o coração, deixar fluir, e não ser algo mecanizado. Por vezes os rituais mais simples são os mais poderosos. Sim, há coisas que eu utilizo sempre, nomeadamente incensos e cristais. Há um ritual que faço em que escrevo e queimo o papel, sempre. Há situações em que determinados passos devem ser seguidos, e rituais que exigem uma certa disciplina.
Mas há outras coisas que vão mudando, desde os cristais que uso nesse dia, às ervas dos incensos que escolho com intenção. Algumas vezes alio o Reiki ao ritual, outras vezes não. Muitas vezes faço uma leitura com as cartas dos meus oráculos, mas outros dias não. Se uso um ou mais baralhos e qual ou quais usar, isso decido no momento, seguindo a minha intuição.
Num ritual posso estar no meu canto especial na minha casa, acendendo algumas velas, com o cheiro a ervas dos incensos no ar, música a tocar… ou pode ser simplesmente sair para a Natureza e sentir a água, a terra nos pés descalços, o sol na pele, o toque das árvores e escutar o som das suas folhas ao vento ou dos animais que habitam aquele espaço, e simplesmente estar. Fazer um chá ou colher e preparar as ervas para uma mezinha podem ser um ritual. Aquele momento do dia que tiras para cuidar de ti, nem que seja apenas com um bom banho relaxante e hidratação do corpo com o teu óleo corporal favorito é um ritual.

Com isto, aquilo que quero dizer

é que na minha visão pessoal um ritual pode ser como tu quiseres, basta sentires. É óptimo procurar inspiração, conhecer o que outras pessoas fazem, mas o resultado depende de ti, da intenção e dedicação que colocas quando o estás a realizar. Pessoalmente, penso que se for algo totalmente mecanizado não é realmente sentido e integrado. Se souberes todos os passos mas estiveres com sentimento de “obrigação”, experimenta parar e adaptar o ritual ao ritmo e chamamento do teu coração.
Já segui rituais à risca porque achava que de outra maneira não teriam o efeito que eu desejava, mas percebi (principalmente quando eram rituais que devem ser praticados várias semanas) que haviam momentos em que ficava aborrecida ou sem vontade de o fazer, ou que era quase um frete ou feito de forma automática, sem grande sentimento. Durante uns meses deixei de fazer o que quer que fosse porque tinha deixado de fazer sentido. Essencialmente, com a ideia de seguir cada passo tintim por tintim, sem mudar uma vírgula que fosse, estava a complicar algo que não tem de ser complicado. Inclusive chegava a cobrar-me por essa falta de disciplina que por vezes sentia, ficava frustrada.

Até que (re)descobri a magia dos rituais

quando aceitei a sugestão de os transformar em algo mais do coração e menos da mente. Aprendi a deixar fluir, não ser tão rígida naquilo que me proponho. Aprendi a ser flexível comigo, atender também ao que eu própria me peço a cada momento. Aprendi que não fazer (a meditação, o auto-tratamento de reiki, o ritual) também faz parte do processo. O mesmo se passa com meditar ou fazer os meus rituais a horas diferentes do habitual… Se o faço de manhã, óptimo, se o faço ao final da tarde ou à noite, óptimo também.
Mesmo quando faço um ritual de várias semanas, agora faço-o de forma mais leve. Não me sinto obrigada, desejo fazê-lo, porque estou mais ligada a tudo aquilo que acontece.
E tu, tens rituais que costumes praticar? Já desististe de fazer um ritual por sentires que estava a ser algo forçado?
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4 comentários sobre “A Magia dos Rituais (feitos com coração)

  1. Concordo totalmente contigo, Joana. Se algo for forçado, ou feito só porque sim, perde o significado e a magia. Actualmente não faço rituais, a não ser que tenha algum “chamamento” para queimar um incenso, fazer uma tiragem de cartas ou buscar a energia de algum cristal. Creio que com o desprendimento das normas comecamos a apurar mais a nossa intuição. E sim, o parar faz parte do processo de questionamento que é fundamental, senão voltamos a entrar noutro rebanho.

    1. É isso mesmo, Sara. Somos seres de evolução, se não questionarmos o que até nós próprios achamos que é o mais correcto, não sairemos do mesmo lugar. A intuição é fundamental!

  2. Adorei o artigo Joana! É tão importante falar disto! Eu não gosto de rituais precisamente porque os sinto como obrigações. No entanto, faço como tu também, o que eu sentir no coracao de fazer e usar naquele momento, é o que vai. Escreveste “um ritual pode ser como tu quiseres, basta sentires” e é somente isto. Por isso acho que os rituais devem ser adaptados a cada pessoa. O que acontece se não houver um papel e uma caneta? Vem mal ao mundo por isso? Usa-se um pc, um tablet, um tlm, qq coisa, ora essa! Vivemos na era moderna! Temos de ser espertos! Porque não usarmos os recuros disponiveis? obrigada por este textos maravilhoso, foi quase poética a forma como descreveste os teus rituais. Bjs

    1. Obrigada pelo teu feedback, Patrícia. É bom saber que mais gente pensa como eu, sem estar preso às ideias e crenças dos outros. Bjs

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