Escritos da Alma,  Reflexões

Camisolas como Estados de Espírito

Todos temos aquelas camisolas que gostamos mais… Achamos que são mais bonitas e sentimo-nos confortáveis nelas. Às vezes basta vestir uma peça de roupa assim para nos sentirmos mais confiantes para enfrentar o dia.

Então, e se virmos os nossos sentimentos, emoções e estados de espírito como camisolas? Camisolas que todos os dias vestimos, seja para estar em casa ou para andar na rua… E, como as camisolas, há estados de espírito em que naturalmente nos sentimos mais bonitos e confortáveis, e outros que parecem aquelas camisolas que fazem comichão, que picam, e causam tal desconforto que só dão vontade de tirar mal as vestimos.
Quando eu era mais nova descobri duas soluções para essas camisolas: ou tirava-as e vestia outra coisa, ou vestia uma camisola de tecido mais fino por baixo para não ficar em contacto directo com a primeira.
As camisolas são fáceis de mudar, mas os sentimentos, emoções e estados de espírito, não. Podemos tentar procurar um lado mais positivo de uma situação, por exemplo, mas o resto pode continuar connosco.
É como ao vestir uma camisola por dentro continuarmos com a camisola desconfortável, mas protegermos o nosso corpo das sensações que nos provoca na pele. Isto leva-me a pensar naqueles momentos em que não estamos verdadeiramente bem, mas pomos um sorriso e fingimos que sim… Os sentimentos, o estado de espírito, continuam lá, mas disfarçados (e, por vezes, mal).
Mas, no meio disto tudo, também percebi que tal como trocamos de roupa todos os dias, também nenhum sentimento ou estado de espírito é permanente.
Então, e se, em vez de tentarmos trocar mal eles aparecem, muitas vezes remando contra a maré e complicando mais ainda (como quando estamos a ser tão picuinhas com a roupa para usar no dia que chegamos a pensar, desanimados, que não temos “roupa nenhuma de jeito”), os usássemos conforme eles surgem? Não é desatar aí a refilar com todos só porque estamos de mau-humor. É aceitar aquilo que sentimos como parte de nós, parte do nosso crescimento, e ter a consciência de que chegará o momento de trocar essa camisola também.
E, acima de tudo, procurar dentro de nós as razões para nos sentirmos assim, ser pacientes e gentis connosco. Todos temos dias melhores que outros. Não temos de andar sempre alegres e positivos. No meu roupeiro tenho roupas de várias cores, e o meu coração também tem várias cores. Sim, há umas que gosto mais do que outras, mas isso não quer dizer que não vá utilizar as “menos bonitas” também.
Aliás, se olharmos para esse lado a que se diz “menos bonito”, podemos aprender muito sobre nós, e podemos evoluir a partir daí, trabalhando com aquilo que enfrentamos. E o mais engraçado é que, ao aceitarmos isto, e embora existam sempre, chegará o dia em que as camisolas “que picam” passarão a estar cada vez menos presentes no nosso roupeiro.
Em relação às camisolas que picam – as peças de roupa propriamente ditas – essas podemos trocar na mesma sem pensar muito nisso 😜
E tu, fazes este trabalho de aceitação? Ou tentas à força trocar de camisola?

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